Saturday, January 24, 2009

A favorita

Foi semana passada, quando eu estava viajando a trabalho. Era hora da Favorita. Última semana. Cheguei ao hotel, afobada bem em cima da hora, corri pra ligar a televisão e lá estava a Flora e a Donatela, num teatro, com as cortinas se abrindo para que os mocinhos assistissem à desgraça da vilã, aquela cena absolutamente impossível, acontecendo na novela. Toca o telefone, corro pra atender. Do outro lado, meu marido:
- Até parece né?
- Oi amor. Que?
- Até parece que a cortina ia abrir, todo mundo estaria aí, olhando... Ridículo... – Eu, do outro lado da linha, ri. Como ele sabia que eu já tinha chegado? Como ele sabia que eu ligara a televisão? Como ele sabia que eu entenderia, sem explicação prévia? O amor, ou melhor, a cumplicidade, tem dessas coisas. Você não sabe, mas sente-se absolutamente confortável para agir como se soubesse, e, normalmente, acerta. Você pode estar pouco longe ou muito longe, mas é como se você estivesse ali, ao lado, grudado.
Enquanto me acomodava na poltrona, ia comentando:
- Ridículo mesmo baby, onde é que já se viu, ninguém ia tossir, espirrar, chegar atrasado, nada... – ele riu. Mas calou-se em seguida, porque a Flora tinha fugido. Não falamos por um longo período, mas ele resmungava, eu murmurava, ele exclamava, eu suspirava. E assim, sem que nenhuma palavra fosse necessária, estávamos tão pertos um do outro quanto era possível. Podia ver seu rosto de exclamação, quando ele respirava dessa, ou daquela maneira.
Ficamos lá, assim. Assistindo a novela a quilômetros e quilômetros de distância, às vezes calados, às vezes comentando, rindo e esquecendo da conta telefônica – que não tardará a chocar-me. Lá pelas tantas, percebi que as palavras da Cirlene chegavam antes no meu quarto do que no dele. É porque a Globo é carioca – ele disse – e você está no Rio. Rimos de novo, enquanto eu contava a frase seguinte, um minuto antes que ele a pudesse ouvir. Eu era uma vidente, e ele meu cliente. Eu era sua amiga, e ele meu amor.
Depois, há quem diga que casamento não é bom...

7 comments:

Amor amor said...

Aninha, eu amo quando vc escreve sobre cumplicidade, e usando uma história real. Aumenta o direito das solteiras de sonhar em encontrar a cara metade, alguém que mesmo com milhões de diferenças, construa com a outra metade uma terceira pessoa: a fusão.

Beijocas doces cristalizadas!!! ;o>

Cristiane said...

Outro dia, o meu me pediu um beijo no rosto. Eu estava ocupada e disse que daria dali a pouquinho. Ele insistiu. Fui lá e quando ia dar o beijo no rosto dele, ele virou-se rapidamente e deu-me um beijo na boca e disse rindo: "é assim que se rouba um beijo". Eu passei o resto do dia rindo daquela brincadeira gostosa.

Coisas de casal, delícias da vida a dois.

beijos

cArLa said...

Pois é, Ana. Eu recomendo!!!

Juli said...

viu!

Juli said...

amore mio! acabei de ver uma peca que voces nao podem perder! por favor!
confissoes de mulheres de 30!!
voce vai AMAR!
eh muito divertido!
e nós estamos todas lá!!
ATÉ EU me identifiquei, muuuuito!!
hahahaha

Mari Monici said...

Ah tudo de bom mesmo! :)

Re said...

Que maximo, realmente eh muito bom qdo percebemos que nosso relacionamento atingiu esse nivel de cumplicidade, qdo mesmo em silencio sabemos o que o outro pensa ou quer, quando adiantamos as palavras que o outro ia dizer, qdo compramos aqui que o outro pensou em comprar. Essa eh a magica do casamento, o po de pirlimpimpim que torna o casamento especial. Bjs