Wednesday, July 26, 2006

Super mercado nada super.

Fui ao super mercado hoje.
É talvez a minha terceira ou quarta ida ao super mercado, desde que casei e saí de perto do fogão da minha mãe.
O super mercado me parece um mundo absolutamente novo, entre tudo o que vi.
Veja bem, eu trabalho, leio jornal, vou ao shopping, faço academia, cursos, amizades compras a todo o tempo, sou uma pessoa esclarecida, culta, e me achava inteligentíssima, até que fui ao super mercado. Fazer as compras do mês.
Na verdade a complicação começa por aí. Compras do mês? Da semana? Da quinzena?
Fui fazer compras, o tempo há de me dizer de que periodicidade se trata.
Antes de relatar o meu vexame, confesso que sempre fui a típica filhinha de papai. No caso, de mamãe. As comidas apareciam diante de mim, como que por mágica. A casa brilhava limpa, por um feitiço, nada me parecia complexo numa casa.
Quando eu já tinha a minha e ganhamos o fogão, fiquei animadíssima. Levou séculos pra ligar o gás e eu, que nem imaginava a existência da parte do gás, comecei a desconfiar que a coisa não era assim tão simples. Mas enfim, ligada a máquina, não havia surpresa. Girava o botão e o fogo ascendia. A mágica da minha mãe deveria estar em meu DNA... Deveria...
Fogão em casa, armários vazio, algo estava errado. Corri ao Pão de açúcar mais próximo.
Peguei um carrinho, daqueles pequenos, que acho mais prático de se carregar... As prateleiras, os corredores, tudo me parecia novo, um labirinto desconhecido. Por onde começar? O primeiro produto que vi, foi o arroz, tio joão. “Uma casa precisa ter arroz, todo mundo sabe disso”. Peguei. Mas ainda não sei como fazer arroz, enfim...
Sei fazer ovo frito, acho. Vou comprar ovos. Andei mais um pouco e lá estavam eles. Que simples, vou comprar ovos e fazer uma deliciosa omelete. Quando ergo o braço pra pegar minha caixinha, noto que existem vários tipos: “Ovos de granja” dizia uma caixinha. “Ovos de granja do tipo grande”, dizia outra. Tinham os branquinhos e os amarelos meio marrons, tinham grandes e pequenos, ai, tinham até médios acho! Fiquei confusa, fechei os olhos e escolhi aleatoriamente. Não haveria de fazer diferença...
Fui aos refrigerantes. Fácil. coca-cola light, pronto.
Queria fazer uma receita, mas não sabia por onde começar. Achei o folhetinho do pão de açúcar que falava de sopas. Ótimo, vou fazer essa, de abóbora que parece mais fácil, pensei. Quando li que tinha que cortar a abóbora em cubos grandes, me deu um pouco de tristeza, mas não desanimei, andei mais um pouco, em busca de uma inspiração, e achei uma bandejinha pronta, com abóboras cortadas em cubo. A sorte estava a meu favor, claro. Respirei aliviada. Próximo ingrediente: gengibre. “Gengibre, gengibre”, repetia mentalmente enquanto andava entre as frutas... “Aqui não”. Fui até os legumes “Gengibre, gengibre” continuava repetindo e lembrando das balas de gengibre que vendem nas farmácias. Essa era a única imagem que eu tinha alimento gengibre... humm tem um lugar de temperos, lembrei! Fui até lá: “Gengibre, gengibre” nada. Meio envergonhada, pensei em ver os enlatados, mas seria ridículo. Eu poderia perguntar também, tem umas pessoas com roupa do super mercado ali. Tem uns que mexem nos produtos, mas eles poderiam saber. Olhei para eles e para todo mundo em volta. Tinha muita gente em volta, eram mulheres com seus carrinhos. Mulheres experientes que escolhiam seus produtos com tamanha segurança e decisão, que fiquei impressionada. Até as feias eram boas nisso. De repente eu invejei essas mulheres... Puxa, elas eram meio velhas, descuidadas, eu sou jovem e vaidosa, mas quis entrar naquele corpo gordinho e vivido, pra caminhar pelo super mercado com classe e firmeza... Desisti do gengibre, aquilo já estava se tornando doentio. A receita pedia um dente de alho e eles estavam lá, nas bandejinhas, fáceis e claros, pronto. Ai, as bandejinhas... Logo esse se tornaria o meu setor predileto, nem sei pra que vender abóboras inteiras... Próximo ingrediente, carne seca. Ai, respirei fundo, pensei, li de novo, e mais uma vez pulando a parte da carne seca pra ver como soava. Soava bem, aquilo poderia estar lá só pra aumentar o texto, pensei. “Faz de conta que não precisa de carne seca, falei pra mim mesma, bem certa disso”. E vamos ver o que mais precisa pra acabar logo com isso. Pimenta do reino e sal. Isso é fácil... O sal foi num instante, reconheci que não era o grosso e pronto. Todos os alimentos deviam ser assim. Com uma diferença mínima nas suas variações. Grosso e normal. óbvio que era o normal.
Pimenta do reino. Essas estavam nos envelopinhos. Vi uma e, em seguida, como numa enorme sacanagem percebo que a que eu vi, era branca. Tem pimenta do reino vermelha. E moída. Em envelopes, ou em potinhos. Li de novo a receita. Porque não explicava direito? Quis desistir. Abandonar ali mesmo meu carrinho pequeno que já estava cheio de chocolates alpinos, bolachas bonos e batatas ruffles. Deixaria tudo aquilo e pediria uma pizza, pronto. Poderíamos comer pizza essa noite. Mas teríamos outras... Prometemos nos manter casados pra vida toda, lembrei... Peguei a pimenta do reino mais cara – devia ser a melhor – e caminhei em direção ao caixa. Ah, sabão em pó. Fácil, peguei um Omo. Amaciante, alvejante, alguns “antes” eu deixei pra depois. Deixaria um dinheiro pra faxineira e ela compraria pra mim. Claro, eu diria que não tive tempo e não que não sei diferenciar os produtos de limpeza. Isso, eu não diria pra ninguém... a não ser que achasse uma “Personal Trainner” do supermercado. Nossa, como ninguém pensou nisso?? Eu não preciso de personal stylist, nem de personal trainner, mas, quem sabe, se houvesse um “personal wifer”. Alguém que me ensinasse a diferença do creme de leite em caixinha e do em latinha, alguém que me explicasse qual a melhor bucha pra lavar a louça e qual é a que a empregada pede dizendo: “pro banheiro”. Alguém que me contasse além de quanto tempo deixa o bolo no forno, em qual temperatura deixar, porque dá pra girar o botão do fogão quase 360 graus... Nossa, como seria bom, alguém que me ensinasse uma receita sem omitir partes só porque elas são óbvias, porque, pra quem está começando, não há óbvio. E nem, pra quem esta na metade.
Nessas minhas idas ao super mercado, não há tempo fácil. Ainda me confundo quando falam em açúcar de confeiteiro, farinha com fermento, ou sem fermento, tomate macã, tomate cereja, deve haver até um tomate pêra. Me confundo quando as receitas pulam a parte de por óleo pra fritar alguma coisa, ou quando falam simplesmente que as claras sào em neve, como se pudéssemos comprar ovos de granja, com as claras já em neve.
Hoje entendo porque os “deliverys” crescem tanto. Dizem que é porque as pessoas não têm tempo, mas não é simples assim. Os deliverys crescem porque as pessoas são burras, principalmente as que mais se acham inteligentes. As pessoas são confusas e embora falem inglês, espanhol e francês, não têm nenhum conhecimento da própria casa. Enfim, enquanto não inventam a personal wifer, acho que as mães pagam o pato. As filhas que tem a sorte de tê-las por perto, agradecem, bufam um pouco, jogam muuuuita comida fora, Gastam dinheiro em praça de alimentação, mas, uma hora aprendem. Ou devem aprender. Espero...

2 comments:

Mari said...

Quase nao aguentei de rir KI!! lembrei da sua historia do frango com creme de cebola que depois de virado em sopa parecia demorar mto pra secar! E daquela picanha que fizemos, com sal grosso..e haja agua sabor laranja pra matar a sede depois. Querida, é td muito legal nisto não? Posos ser sua personal wifer à distancia..pelo menos com o pouco que aprendi...Ah! Yakissoba é facil rapido e vem td em bandejinhas, vc vai amar! beijo Mari

Anonymous said...

Depois de me emocionar com o texto da " gravidez e morrer de ódio do Caio, "ri muuuito com esse.
Não precisa ser ignorante sobre alguns ítens p/ se aborrecer no super mercado , que de super só tem o super chato, basta ficar horas procurando identificar os preços com os produtos e depois de meses fazendo compras no mesmo para saber exatamente onde encotrar os produtos habituais . Eles decidem mudar todos os corredores e gôndolas para " facilitar " p/ os clientes. Esse program é horrível e ainda tem gente que adora os super mercados por ficarem abertos 24 horas..... Celinha. Bjinhos