Tuesday, December 18, 2007

Jogar ou falar

Uma noite dessas, conversava com essa amiga no MSN, como se tomássemos café com bolo de fubá. E ela me inspirou o texto abaixo.

Jogar ou falar

Então é isso mesmo. Queimamos sutiãs, ralamos, ganhamos até bem. Temos atitude, tomamos a frente das situações chegamos neles, nelas, em quem quer que seja e rimos disso tudo e de nós mesmas. Somos as mulheres, essas da novíssima geração.

Engordamos, emagrecemos, exigimos, aplaudimos a Dove, a Preta Gil, a Grazi e todo mundo que achamos bacana ou que nos tire do sufoco de sermos escravas de qualquer estereótipo insano. Também nos detonamos e, principalmente, nos ajudamos, quando queremos de fato. Somos nós, super, mega, master, incríveis: As mulheres do século 21!

Sim, somos mesmo. Eu bem que acredito nisso. No entanto, de repente, um dia, você mulher mega-super-master-hiper, vai se ver numa encruzilhada. Vai acordar, talvez no meio da madrugada, sem saber como agir com seu marido, com seu namorado, com seu caso. Vai se perguntar – olha que absurdo – se deve ser honesta. Será? Será que eu devo dizer o que estou sentindo? Será que devo falar que não está bom assim, que queria mais assado, que está até bom, mas... não, não devo falar. Está bom assim, a vida é assim mesmo, não vou falar é nada ele já é legal, pronto, tá bom...

Pois é. Você, mulher moderna, que tem ao seu lado um homem também moderno, e são ambos esclarecidos e sabidos, não sabem ainda se relacionar.

Talvez não saberemos nunca. Será? Será possível isso? Será que sempre teremos um preço a pagar?

Porque é isso, é assim que funciona. Se você for honesta, abrir seu coração, dependendo do assunto, pode assustar o rapaz. Ou pode dar a idéia de que o esteja pressionando. Mesmo que - juroportudoqueémaissagrado - não esteja. Então, pensa em formas de falar.
Arquiteta planos incríveis, trabalha com as palavras na sua mente, como se elas fossem fios de tear, e, assim, constrói uma rede perfeita de frases, reticências, gritos, sussuros e atitudes que, combinados, demostrarão a ele o que você de fato quer dizer. E, daí, sem que você se dê conta, está jogando. Sim, está jogando como a mais primitiva das mulheres. Está jogando, como jogavam as cortesãs de antigamente, ou como as matriarcas recentes, essas que, ao invés de serem adultas, responsáveis e corajosas, fingiam prazeres, ou fingiam alegrias, se necessário fingiriam tristezas... Fraudavam a verdade, se martirizavam para uma mentira, porque essa mentirinha, essa omissão, poderia ser o que era necessário para a vida a dois.

E não somos assim ainda? Porque há um preço. Há um preço e um risco para a honestidade e há um preço e um risco para o jogo. Fale, abra seu coração, seja verdadeira com ele, eu digo para as minhas amigas. Mas – e sempre há o mas - saiba do risco. Saiba que ele pode achar que, então, se você quer mesmo isso, não é “pra casar”, ou é uma louca ciumenta, ou é casamenteira de primeira. Saiba que, apesar de ser um homem moderno, ele ainda não sabe bem como age um e, quando tenta, logo se esquiva como um bicho diante do outro.

Então, tenha jogo de cintura. Jogue devagar. Insinue, demonstre, fale sem dizer, diga sem falar, tateie, avance e recue. Sempre nessa ordem. E saiba que, nesse caos, obviamente, pode ser que a mensagem não chegue ao destinatário. Principalmente se ele, apesar de moderníssimo, não estiver tão apto a ouvi-la. Ai, ninguém merece né?

A vida prega mesmo essas peças. Crescemos, evoluimos, mas, de repente, num domingo a noite você percebe que, talvez, não tenha saído do lugar.

Resta o tempo, o aprendizado e, principalmente, o bom-humor para sobreviver a uma modernidade, por vezes tão arcaica como a nossa...

3 comments:

Mariana said...

Ando me surpeendendo com a modernidade..ainda ontem questionava as mesmissimas coisas com duas amigas diferentes que ao acso iniciaram o tema. É doce, mas não é mole né?! Eu particularmente, que nunca fui atleta nem de Cristo, nao sie jogar. Os jogos me cansam e eu nem paciencia tenho pra eles. Jogo, no máximo conversa fora! :)
beijo amiga!

Morango said...

Olá!Adorei seu blog!Muito bom mesmo!Ah, por um acaso você não é a moça que participou do globo repórter semana passada?
Bjo!

Carol Barcellos said...

Olha, essas táticas são arcaicas mesmo, são coloniais, tudo de madeira, e quem enxerga através da madeira? Só se ouve...ah, mas nem tudo que é dito expressa a totalidade dos sentimentos. Bom, então a gente, toda moderna tinha que estar num estilo clean, transparente, e sim, os homens se assustam com isso. Acabo de sair (ou melhor, ser chutada) de um relacionamento por causa do meu estilo clean, da minha transparência, por causa do dizer o q penso. Enfim, porque ele me conheceu muito mais do que eu a ele. Sou cristal, mas ele é madeira. E sabemos que pra ver através da madeira, há que se fazer pequenos furos nela. Sim, ele se acha humilhado, inferior, e eu, de cristal, é que sou culpada.
Talvez essa feminilidade moderna me sirva para ser feliz sozinha, auto-suficiente e completa.

Seus textos, impecáveis, como sempre!
Beijos doces cristalizados!!!