Thursday, April 16, 2009

Crônica do dia

O blog dela me inspirou e eu escrevi no blog dele. E assim caminha a humanidade...

REMAR E BOIAR

Não fui eu que inventei a expressão. Achei no site dela, em algum momento em que ela falava sobre o desgaste de um trabalho duro, e a alegria de um dia a mercê do vento.
Acontece que nunca mais me esqueci da soma dessas duas palavras e, vira e mexe, enquanto estou remando, remando muito, imploro que o vento me ajude e deixe-me boiar por alguns segundos. Explico: Remar e boiar. Remar é trabalhar, boiar é descansar. Remar é fazer força, boiar é relaxar. Remar é enfrentar chefe, boiar é brincar com o filho. Remar é fila no supermercado, boiar é o sofá. Remar é o Jornal Nacional, boiar é TV Fama. Remar é pensar, boiar é esvaziar-se...
Há casamentos que são mais remar, outros, deliciosos, são feitos de boiar. Mas todos os relacionamentos, todos, exigem as duas atividades. Na hora de ceder, brigar, ou simplesmente aturar, somos remadores fortes. Remamos quando respiramos fundo mesmo diante da toalha molhada sobre a cama, remamos quando damos explicações longas para problemas pequenos, remamos quando disfarçamos os gastos, ou quando murchamos a barriga. Já na hora de brincar, rir e rachar uma pizza, costumamos boiar encantados. Boiamos quando nos aconchegamos no braço alheio, boiamos quando rimos de uma piada idiota, boiamos quando dançamos, sozinhos, numa pequena sala vazia...
E no trabalho, não é diferente. Normalmente trabalho é remar arduamente, mas, alguns trabalhos têm longos períodos boiando. Não é o meu caso. No meu trabalho, sinto-me remar até arder os braços. Fazer planilha no excel é remar, reportar relatórios mirabolantes é remar, dar explicações de horário é remar muito. As vezes, algumas vezes, tenho um almoço tão leve e divertido com as amigas que, mesmo no escritório dos campeões de remo, sinto-me boiar por uma curta hora. Acontece. Mas há um ou outro sortudo que vive de boiar. Sério, existe gente que ganha para boiar e, esses, devem ter os braços fracos, mas o coração aquecido. Outro dia ouvi dizer de uma moça que a profissão dela é “conversadora”. Sim, ela organiza e realiza conversas. Aquilo que a gente faz no cafezinho, correndo, é o dia-a-dia dela. Boiar levemente, sob águas mornas - inclusive.
Mas esses representam uma pequena minoria. Há também aqueles que nem trabalham, mas esforçam-se tanto em tudo o que fazem, que chegam ao fim da vida sentindo seus braços dormentes de tanto remar. Tantos que passam a vida toda remando, com o filhos, com a família, com a casa, com o trabalho, seja lá o que for trabalho. Tornam-se cansados e, nos casos mais tristes, desaprendem a boiar. Viram amargurados e mesquinhos. Se, por ventura, pegam-se boiando num almoço de domingo, quase que assustam-se com o peso leve do corpo, dentro da água. Não raro voltam a mastigar a sua alface com a mesma apatia de antes. Sim, porque comer alface, para a maior parte das pessoas, é remar. Já chocolate, hambúrguer, sorvete e macarrão, isso é boiar com sabedoria. Curtir é boiar. Preocupar-se é remar. Navegar sem destino na net, lendo blogs até perder a hora, é boiar um pucadinho. Fazer imposto de renda é remar. Achar um eletricista, um encanador, um marceneiro, é ser um mestre do remo. Quase que primeiro lugar. Eu ando estou a milhas de distância desses atletas. Mas aprendia a boiar com uma leveza sem tamanho.
Sim, porque, se remar precisa ser aprendido, boiar também. É outro aprendizado, outro formato, mas é necessário aprender, porque não é qualidade de todo mundo boiar. A felicidade, essa danada, é dom de alguns, conquista de outros, e utopia para tantos. Já o remo, ah o remo é dado a todos, em algum momento da vida.... Se você ainda não recebeu o seu, atente-se. Logo terá um remo nos braços e, quando a correnteza estiver forte, você só pode remar ou boiar. Caso contrário, é afogar-se na certa...

4 comments:

Bia said...

Por incrível que pareça estou boiando no trabalho e remando na vida...não dá pra boiar nos dois ao mesmo tempo?
Beijão com saudades!

Amor amor said...

É, analisando bem, vi que só fico boiando em frente a tv, em frente ao ecrã do computador, e no almoço diário com meus pais. Fora isso, tô ficando sarada de tanto remar, kkkkkkkkkkk...

Beijinhos doces cristalizados!!! ;o)

Sam said...

Eu costumo dizer algo bem parecido:
"Há duas formas de viver a vida, você pode nadar a favor ou contra a correnteza!"

Mas sabe boiar até não é má ideia!
Vou começar a tentar boiar... quem sabe não dá mais certo!

Adorei o blog!
Beijos!

Mariana said...

menina, onde é que se encosta este remo pra boiar um pouco hein?! na duvida dos dois so tenho uma coisa a dizer hoje: tem um coletinho salva vidas aí? beijoca glub