Thursday, October 30, 2008

Mulheres e suas bagunças II

A história era assim: Ela foi fazer depilação numa moça que ainda não conhecia e, logo de primeira, resolveu depilar a virilha. Pois começou dizendo que você só deve depilar a virilha com alguém, depois que já tiver experimentado depilar axila, ou meia-perna “Nunca faça a virilha numa depiladora se for o primeiro encontro de vocês” ela falou, e ainda acrescentou que era como sexo: de primeira não. Já comecei a achar tudo engraçado daí e, em seguida, ela contou que a depilação foi uma tragédia. Parece que a cera era ruim e não saia de uma vez, então ficavam uns pedaços de cera grudados nela, que a mulher ia arrancando com a unha, os pêlos não saiam, ela tava vermelha e dolorida já, mas a mulher continuava como se ela fosse uma mesa sendo encerada; sem dó nem piedade. Ela não conseguia respirar e nem falar nada, não que fosse boba não, ao contrário, ela era bem esperta e falastrona no dia a dia, mas lá, ficou com medo de a mulher ter raiva e maltratar mais ainda e, convenhamos, você pelada (ou quase) com um monte de cera grudada nos pêlos pubianos, claro que acaba aceitando o que quer que seja, fica numa posição super vulnerável mesmo, assinaria um cheque em branco se a mulher pedisse, entregaria sua senha do banco, seu marido, tudo, tudo. Então ela agüentou, coitada, mas quando a depiladora acabou de fazer aquela virilha básica, em cima, e foi fazer um pouquinho mais pra baixo, a menina gritou: “Não, não, eu não faço embaixo, aí não, por favor, nunca faço aí, odeio fazer embaixo, não gosto, não, não faço embaixo!” E a mulher parou, meio que assustada. Era mentira, claro, mas ela disse que quando pensou na dor que ia sentir com aquela cera porcaria ali, naquele lugar, só conseguiu gritar isso, disse que deixou até uma gorjeta boa pra depiladora, de tanto que era a alegria em se ver vestida, saindo daquele lugar. Fiquei morrendo de pena da menina que contou essa história, mas ri de chorar quando ouvi. E, depois, quando voltamos ao trabalho, acabamos ficando amigas. Nós que nem nos simpatizávamos muito uma com a outra, ficamos meio que simpáticas e, numa reunião, dias depois, sentamos uma de frente pra outra, ouvimos séculos da chatice do gerente mega-blaster-sênior e, daí, ele começou a fazer um monte de pergunta pra todo mundo, tava tudo um inferno e eu e a menina rebolando pra responder até que, uma hora, quando ele sugeriu qualquer coisa insuportável como trabalhar todos os finais de semana do mês (não foi isso, isso é só um exemplo) aconteceu que eu gritei: “Não! Eu não faço embaixo!”. A menina, minha recém amiga, nem me olhou, só desandou a rir tanto, mas tanto que eu não agüentei e entrei com ela na crise de riso. A reunião perdeu até o sentido. Não sei como não perdi o emprego, porque a gente só ria e, as vezes, entre as gargalhadas, repetia: “Eu, hahahaha, eu não faço embaixo, hahaha” enquanto as outras pessoas nos olhavam, atônitas, talvez pensando se merecíamos uma licença remunerada, nem sei o que eles pensavam da gente. Mas aconteceu que, assim, numa crise de loucura básica, eu e a menina que era meio chatinha, nos tornamos grandes e melhores amigas... que homem, no mundo, que seria capaz dessa proeza?

1 comment:

Carol Barcellos said...

Hahahaha, ótima a história da cêra, amei! Realmente, um homem não seria capaz de uma proeza desse tipo. Agora já sei o que dizer em situações difíceis, hahaha!
Aninha, fiquei surpresa ao ver que vc tb escreveu sobre a cêra, estamos em conexão literária, não fazemos embaixo, hahaha! Quando puder, passa lá no meu quarto dos sonhos, para ler sobre as técnicas depilação do subconsciente.
Beijinhos doces cristalizados!!! ;o>